Sei Miguel foi um nome maior do jazz e da música experimental portuguesa. Embora o verdadeiro alcance da sua influência esteja ainda por apurar, ele não se resumirá certamente ao campo da música. Dono de um aguçado sentido de humor e de uma clarividência que lhe trouxe lucidez e frustração em doses iguais, Sei cultivou um inabalável sentido ético para com a criação e para com aqueles que com ele criaram. Foi nesse encontro entre o conceber e o partilhar que deu por falta de um léxico, talvez mesmo de um código, que lhe permitisse comunicar a outras pessoas as dinâmicas e tensões que urgia registar, mas que não encontravam vazão na linguagem da pauta. Como não havia, teve de inventá-los. O resultado foram gráficos híbridos, entre o desenho e a escrita, o símbolo e a palavra, feitos para guiar no escuro. Esta mostra reúne um conjunto alargado e diverso desses exercícios cuidadosos de generosidade e inclusão.