Na antiga fábrica de cerâmica que existia no local onde hoje é a Culturgest, diz-se que uma única operária era responsável pela pigmentação final das pastas de barro. Trabalhava com grande rigor para manter o tom vermelho dos tijolos e das telhas obtido a partir de uma mistura de curcuma, morango desidratado e ameixas, que salpicava às escondidas com arruda e canela em pó, para afastar o mau-olhado. Era do conhecimento popular que o trabalho dessa operária “de trazer o céu” garantia que todas as casas erguidas com aqueles materiais ficassem protegidas de uma forma mística contra as intempéries. Nesta exposição, um conjunto de obras reúne-se na procura de como “o Céu na Terra não pode esperar”, tal como escreveu Adília Lopes, e tal como resolvia, diariamente, a operária da antiga fábrica de cerâmica. A propósito dos 150 anos da Caixa Geral de Depósitos, novas aquisições da sua Coleção dialogam com o espólio preexistente, como personagens de uma narrativa épica que se inicia com a identificação de um problema, atravessa um conflito crescente e culmina no encontro de possíveis soluções.