A Balada dos Quatro Cantos, de Alexandre Delgado, é uma cantata baseada em contos tradicionais de origem cigana, brasileira, portuguesa e cabo-verdiana, destinada a coro, orquestra de cordas, quinteto de sopros e piano. Intercalando narração e canções, a obra abre com um prólogo que percorre os temas principais dos quatro contos, antes de se desenvolver em quatro quadros narrativos e musicais distintos. O Barco da Feiticeira conta a história de uma menina cigana que oferece uma casca de ovo a uma feiticeira para ela poder fazer um barco; grata, a feiticeira acaba por lhe salvar a vida. Porque “o maior feitiço é aquele que faz o coração, que lá no fundo toda a gente tem”. O Peru, o Galo e a Raposa é uma fábula brasileira sobre um galo e um peru que estão empoleirados numa árvore. Ao ver aproximar-se uma raposa, têm reações opostas: o galo põe-se a dormir, porque sabe que a raposa não consegue subir à árvore; o peru treme tanto que cai ao chão e é engolido. Moral da história: “Quem vê ameaça em tudo é um grande tolo; para se escapar ao perigo, há que ter miolo”. O Príncipe Com Orelhas de Burro é um clássico dos contos tradicionais portugueses. Tal como no romance homónimo de José Régio, as orelhas de burro que a fada má dá ao príncipe são uma metáfora dos nossos defeitos, que é preciso olhar de frente para dar verdadeiro valor à beleza e à sabedoria concedidas pelas outras fadas. A História do Boi Blimundo fala do herói mítico da cultura cabo-verdiana que fugiu para não ser ...