Em Just Saying assume-se que a ação sobre a vida, o tempo, o mundo… se encontra desfasada da hábil consciência e convicção opinativa sobre o estado e a razão das coisas. É talvez algo que há muito tomámos como factual, mas que, na difícil desconstrução da realidade, raramente atinge a nossa sensibilidade conformada. No entanto a pretensão da consciência leva-nos a sentirmo-nos estranhos à nossa própria ação ou existência no mundo. Vivemos exilados do sentido. Estrangeiros da nossa própria incoerência, sendo essa um lugar comum de incontornável insatisfação, mas que se encontra paralisada na força do hábito, sem movimento, ou seja, insurgimento. Propõe-se aqui a exploração dessa aparente dicotomia através da procura de uma metodologia de improvisação em que a constância imperativa da ação coexiste com uma compulsividade discursiva sobre tudo, mergulhando assim na criatividade pré-determinada do corpo contemporâneo. Assumindo a demissão, vivemos exilados de sentido. Estrangeiros da nossa própria incoerência.