PARA UMA BREVE HISTÓRIA DO FOGO é o segundo espetáculo do Teatro Praga dedicado à história dos elementos, onde cada um deles é narrador e protagonista e onde os seres humanos surgem apenas como convidados. Duas pedras de sílex ou de pirita. A fricção de duas madeiras até vê-lo surgir domesticado, gerando luz e calor. Oxidação de material combustível. Gases a altas temperaturas emitindo radiação eletromagnética… A história do fogo confunde-se com a história do universo, a partir do momento em que, há treze vírgula oito mil milhões de anos atrás, toda a matéria densa existente se encontrava concentrada, a altas temperaturas, e o famoso Big Bang pôs em marcha a contagem decrescente de uma expansão que terá como fim último a escuridão total, sem hidrogénio nem estrelas que iluminem ou aqueçam os planetas. Nos entremeios, a vontade humana de olhar fixamente para o Sol e controlar o fogo, de modo a suportar invernos glaciares, afastar predadores ou cozinhá-los numa fogueira ou queimar a Joana D’Arc, estoirar cidades, brincar com lança-chamas. Na história da jovem adolescente que pôs óleo a mais na frigideira para uns rissóis, a protagonista deste espetáculo é a explosão que destruiu a cozinha. Na história do menino muito querido, muito pequenino, muito assustado, que se abrigou sob um pinheiro frondoso com um bezerro ao colo, o protagonista é o raio da trovoada. E na história do deus que rouba os outros deuses para dar uma prenda aos humanos, ou no teatro que arde de fio a pavio...